Por Por Lilian Burgardt
Suzana indicou o amigo Carlos para ser seu colega na empresa, seis meses depois, ele foi demitido por fraude. Márcia era amiga de Flávia, até ser obrigada a demitir a colega e lidar com seu rancor. Fabrício surfava com Andreas, virou seu subordinado e não agüentou nem dois meses. O que será que aconteceu para que relações de amizade se perdessem a partir do momento em que os personagens passaram a se relacionar no ambiente de trabalho? Afinal, será impossível trabalhar com um amigo e manter tanto a qualidade do relacionamento pessoal como profissional?
Especialistas acreditam que apesar de sobrarem histórias sobre o fim de grandes amizades quando migradas para o ambiente corporativo, o relacionamento só está fadado ao fracasso quando falta um item indispensável para seu sucesso: limite. "Ele servirá para garantir que ambos os amigos não adotem uma conduta permissiva ou intransigente demais, regras que estabeleçam, acima de tudo, condições para se manter o respeito e a confiança na relação", defende o especialista comportamental, Jô Furlan.
Caso o limite tivesse sido aplicado nos exemplos acima, o resultado poderia ser outro. A opinião é consolidada entre consultores de carreira. Quem indicou um amigo teria co-responsabilidade sobre sua postura profissional, já que a indicação é um endosso para que a empresa considere o indicado confiável. Portanto, indique quem você realmente confia, não o conhecido. Se indicar, acompanhe, oriente, alerte. Não deixe que o comportamento negativo do colega respingue em você. Caso precise demitir um amigo por decisão da empresa, chame-o para uma conversa franca fora do ambiente profissional. Explique a situação e não resuma seu discurso a um simples "sinto muito, não pude fazer nada". O relacionamento com o amigo chefe está insustentável? Não o odeie, converse. Use a assertividade a seu favor e esclareça as dificuldades que tem ao lidar com seu comportamento no dia-a-dia.
Quem entende do assunto, revela que dar retorno negativo para um amigo é uma decisão bem difícil. Muito profissional prefere guardar o problema para si, do que abrir o jogo com o 'camarada'. Daí a importância de ser sincero na relação e estabelecer, desde o início, regras que orientem a conduta de ambos no ambiente de trabalho. É preciso deixar claro até onde seu amigo pode ir com as críticas construtivas, com as negativas, com as piadas e com a intimidade no ambiente profissional, mesmo que tenham se conhecido no trabalho e, com o tempo, tenham se tornado amigos.
"Quem tem um amigo no trabalho, porém, precisa saber que essa relação deveria ajudá-lo a ter liberdade para conversar sobre suas dificuldades. O amigo no trabalho é aquele em quem você confia para se abrir, em quem você se apóia nas dificuldades e aprende ao trocar idéias e opiniões. Na minha visão, ele ajuda a deixar o fardo mais leve", acredita a gerente de Recursos Humanos da Unifieo (Centro Universitário FIEO e professora da FAC-FITO (Fundação Instituto Tecnológico de Osasco), Maria Bernadete Pupo.
Caso o amigo já tenha passado do limite algumas vezes, é natural que você se sinta ofendido e queira retrucar em determinado momento. Nessa hora, é preciso manter a calma e ter uma conversa franca. Aí entra outro ponto importante: a assertividade. "Sempre digo isso, quem pensa que pode dizer o que quer e acha que isso significa sinceridade está equivocado. A assertividade é o caminho para quem precisa fazer uma crítica sem ofender o outro", destaca Furlan.
Ciente de que nem sempre é fácil manter a calma ao levar 'fogo-amigo', o especialista desenvolveu uma técnica que, pessoalmente, tem melhorado o relacionamento dele com sua equipe. Após o término de uma palestra ou evento da qual tenha conduzido, a equipe de Furlan precisa esperar, no mínimo, 12 horas, para tecer seus comentários. "Nós que trabalhamos com comunicação tendemos a ser mais sensíveis. Quando você está no auge do momento e com a adrenalina lá em cima por ter acabado de escrever um texto ou finalizar uma palestra, qualquer comentário pode gerar ruído. O melhor é esperar um pouco para assentar as idéias e ter calma para ouvir críticas positivas ou negativas", explica.
Devo por meu amigo na lista negra?
Imagine que você e seu amigo tiveram uma discussão e, no calor da hora, ele te ofendeu e você preferiu não responder. Ou não tinha o argumento perfeito, ou ficou ofendido demais com o comentário. O tempo passou, mas o 'sapo' continua ali, entalado na garganta. Como você reage? Segundo os especialistas, em 90% dos casos, as pessoas guardam rancor, ficam magoadas e não discutem o problema. Um mal entendido, porém, pode desencadear uma série de reações extremadas e desnecessárias que, com uma boa conversa, poderiam simplesmente não acontecer. Primeiro porque ao deixar claro que você não gostou, o amigo vai pensar duas vezes em agir do mesmo modo novamente. Depois, porque evita um duelo interminável em busca do "estamos quites".
O consultor de Recursos Humanos Gustavo G. Boog, explica que seu estudo sobre constelações sistêmicas - abordagem que prioriza o diagnóstico e soluções para situações organizacionais - mostra que qualquer relacionamento, seja ele pessoal ou profissional, precisa de equilíbrio para sobreviver. Isso significa que, no dia-a-dia, uma pessoa oferece alguma coisa à outra esperando receber algo em troca, ainda que isto seja inconsciente.
Muitas vezes, porém, não há como receber algo em troca porque simplesmente o amigo beneficiado não teve a oportunidade de retribuir. No entanto, essa ausência de retorno gera uma frustração no indivíduo que, se não trabalhada, se transforma em mágoa. Daí para frente, a tendência é misturar os critérios. "O indivíduo frustrado com o amigo por causa do trabalho, ou por causa de uma atitude fora do escritório tende a emaranhar isso nos dois ambientes. Portanto, é fundamental manter um relacionamento franco", alerta Boog.
Especialistas acreditam que apesar de sobrarem histórias sobre o fim de grandes amizades quando migradas para o ambiente corporativo, o relacionamento só está fadado ao fracasso quando falta um item indispensável para seu sucesso: limite. "Ele servirá para garantir que ambos os amigos não adotem uma conduta permissiva ou intransigente demais, regras que estabeleçam, acima de tudo, condições para se manter o respeito e a confiança na relação", defende o especialista comportamental, Jô Furlan.
Caso o limite tivesse sido aplicado nos exemplos acima, o resultado poderia ser outro. A opinião é consolidada entre consultores de carreira. Quem indicou um amigo teria co-responsabilidade sobre sua postura profissional, já que a indicação é um endosso para que a empresa considere o indicado confiável. Portanto, indique quem você realmente confia, não o conhecido. Se indicar, acompanhe, oriente, alerte. Não deixe que o comportamento negativo do colega respingue em você. Caso precise demitir um amigo por decisão da empresa, chame-o para uma conversa franca fora do ambiente profissional. Explique a situação e não resuma seu discurso a um simples "sinto muito, não pude fazer nada". O relacionamento com o amigo chefe está insustentável? Não o odeie, converse. Use a assertividade a seu favor e esclareça as dificuldades que tem ao lidar com seu comportamento no dia-a-dia.
Quem entende do assunto, revela que dar retorno negativo para um amigo é uma decisão bem difícil. Muito profissional prefere guardar o problema para si, do que abrir o jogo com o 'camarada'. Daí a importância de ser sincero na relação e estabelecer, desde o início, regras que orientem a conduta de ambos no ambiente de trabalho. É preciso deixar claro até onde seu amigo pode ir com as críticas construtivas, com as negativas, com as piadas e com a intimidade no ambiente profissional, mesmo que tenham se conhecido no trabalho e, com o tempo, tenham se tornado amigos.
"Quem tem um amigo no trabalho, porém, precisa saber que essa relação deveria ajudá-lo a ter liberdade para conversar sobre suas dificuldades. O amigo no trabalho é aquele em quem você confia para se abrir, em quem você se apóia nas dificuldades e aprende ao trocar idéias e opiniões. Na minha visão, ele ajuda a deixar o fardo mais leve", acredita a gerente de Recursos Humanos da Unifieo (Centro Universitário FIEO e professora da FAC-FITO (Fundação Instituto Tecnológico de Osasco), Maria Bernadete Pupo.
Caso o amigo já tenha passado do limite algumas vezes, é natural que você se sinta ofendido e queira retrucar em determinado momento. Nessa hora, é preciso manter a calma e ter uma conversa franca. Aí entra outro ponto importante: a assertividade. "Sempre digo isso, quem pensa que pode dizer o que quer e acha que isso significa sinceridade está equivocado. A assertividade é o caminho para quem precisa fazer uma crítica sem ofender o outro", destaca Furlan.
Ciente de que nem sempre é fácil manter a calma ao levar 'fogo-amigo', o especialista desenvolveu uma técnica que, pessoalmente, tem melhorado o relacionamento dele com sua equipe. Após o término de uma palestra ou evento da qual tenha conduzido, a equipe de Furlan precisa esperar, no mínimo, 12 horas, para tecer seus comentários. "Nós que trabalhamos com comunicação tendemos a ser mais sensíveis. Quando você está no auge do momento e com a adrenalina lá em cima por ter acabado de escrever um texto ou finalizar uma palestra, qualquer comentário pode gerar ruído. O melhor é esperar um pouco para assentar as idéias e ter calma para ouvir críticas positivas ou negativas", explica.
Devo por meu amigo na lista negra?
Imagine que você e seu amigo tiveram uma discussão e, no calor da hora, ele te ofendeu e você preferiu não responder. Ou não tinha o argumento perfeito, ou ficou ofendido demais com o comentário. O tempo passou, mas o 'sapo' continua ali, entalado na garganta. Como você reage? Segundo os especialistas, em 90% dos casos, as pessoas guardam rancor, ficam magoadas e não discutem o problema. Um mal entendido, porém, pode desencadear uma série de reações extremadas e desnecessárias que, com uma boa conversa, poderiam simplesmente não acontecer. Primeiro porque ao deixar claro que você não gostou, o amigo vai pensar duas vezes em agir do mesmo modo novamente. Depois, porque evita um duelo interminável em busca do "estamos quites".
O consultor de Recursos Humanos Gustavo G. Boog, explica que seu estudo sobre constelações sistêmicas - abordagem que prioriza o diagnóstico e soluções para situações organizacionais - mostra que qualquer relacionamento, seja ele pessoal ou profissional, precisa de equilíbrio para sobreviver. Isso significa que, no dia-a-dia, uma pessoa oferece alguma coisa à outra esperando receber algo em troca, ainda que isto seja inconsciente.
Muitas vezes, porém, não há como receber algo em troca porque simplesmente o amigo beneficiado não teve a oportunidade de retribuir. No entanto, essa ausência de retorno gera uma frustração no indivíduo que, se não trabalhada, se transforma em mágoa. Daí para frente, a tendência é misturar os critérios. "O indivíduo frustrado com o amigo por causa do trabalho, ou por causa de uma atitude fora do escritório tende a emaranhar isso nos dois ambientes. Portanto, é fundamental manter um relacionamento franco", alerta Boog.
Furlan ressalta que é inevitável criar expectativas em relação ao amigo no ambiente de trabalho. É importante, porém, deixar claro quais são elas. Muitas vezes, o amigo indica o outro como seu par na esperança de ganhar um aliado na empresa e, por isso, espera que o indivíduo "vote junto" em qualquer situação. Há que se trabalhar essa relação de amizade e dívida, como se o amigo tivesse de ser fiel às crenças do outro em todas as horas. "Ninguém pode culpar um amigo por discordar de sua opinião. Em muitos casos, aliás, um bom amigo pode ser aquele que vai atacar primeiro a sua idéia do que apoiá-la sem crer que ela merece todo crédito", afirma.
Acessado em: http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=15357 em 01/03/2008.
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