Empresas de logística vivem processo de consolidação, crescem e buscam profissionais técnicos e executivos.
Por LUIZ CARLOS LUCENA
Trabalhar com logística no Brasil é difícil. É preciso enfrentar a péssima infra-estrutura de transporte, a burocracia e os custos altos. O país fi cou com a 61a posição num ranking do Banco Mundial, divulgado no fi nal do ano passado, que analisou os portos de 150 países. A situação da logística aqui é pior do que na China, Chile, Índia, Argentina, México, Vietnã e Peru. Por isso, profi ssionais que sabem superar essas barreiras estão valorizados nas empresas. Mais ainda após as recentes transformações ocorridas no setor.
A atividade ainda está repleta de empresas de médio porte. Mas, de dois anos para cá, acelerou-se a profi ssionalização e as fusões se tornaram freqüentes. A americana TNT comprou a Expresso Mercúrio, uma transportadora nacional, e a UPS, gigante de entregas dos Estados Unidos, adquiriu a Fritz, outra transportadora.
Esse processo de consolidação tem criado oportunidades de emprego. Luiz Figueira, de 36 anos, diretor para América Latina da IJS, era presidente da inglesa Exel no país em 2006, quando a empresa foi comprada pela alemã DHL. Enquanto pensava nas propostas internas, já que seu cargo foi eliminado, recebeu um convite da americana IJS para lançar suas operações no Brasil. “Minha formação fez diferença”, diz Luiz, que complementou a faculdade de comércio exterior com um MBA na Business School de São Paulo.
BUSCA POR FORA
Por enquanto, as organizações se vêem obrigadas a preencher as vagas roubando talentos das concorrentes, já que não há tanta gente saindo das universidades com formação específi ca. Outra saída é investir nos talentos internos. A ALL, que comprou a Brasil Ferrovias há dois anos e deve crescer 20% em 2008, abriu o ano anunciando 350 postos novos, 90 deles para gerentes. A empresa pretende formar profi ssionais dentro de casa, mas procura alguns especialistas em áreas técnicas. “Temos falta de gente nas áreas de apoio, principalmente em TI”, diz Pedro Almeida, diretor de RH da companhia, com sede no Paraná.
A procura por profi ssionais é abrangente porque o setor de logística engloba diversos tipos de companhias. Centros de distribuição e armazéns precisam de gente com perfi l técnico, conhecimento de informática, capaz de controlar estoques e rotas de entrega. A empresa de operação logística, no topo da cadeia, procura executivos para o setor comercial com inglês fl uente, para expandir suas relações. É o caso da Log In, de São Paulo, braço de transportes da Vale, que vai contratar mais de 200 pessoas este ano. Por fi m, há os assessores aduaneiros, advogados que conhecem legislação da área e devem operar os sistemas informatizados de comércio exterior da Receita Federal.
Como está o salário
A remuneração variável, que nem sempre existia, subiu e os executivos têm bônus de dois a cinco salários anualmente:
- O salário fi xo de um gerente de logística está na média de outras áreas: entre 8 000 e 14 000 reais.
- Se a empresa é de médio porte, esse valor pode chegar a 20 000 reais (cerca de 30% a mais do que se pagava há dois anos).
Acessado em http://vocesa.abril.com.br/edicoes/0117/fechado/informado/mt_272856.shtml em 29/03/2008.
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